Dominantes alteradas, e a tensão que reforça a resolução
O acorde dominante com as extensões alteradas, nona bemol, nona sustenida, quinta aumentada, que aumentam a tensão sem mudar a função, porque cada alteração é mais um semitom apontando para o acorde de chegada.
Uma dominante já tem tensão: o trítono entre a terça e a sétima. Ela pode ter mais. Abaixe a nona, ou eleve-a, ou eleve a quinta, e o acorde ganha uma segunda nota que pede para se mover. Essas são as dominantes alteradas, e a razão de existirem é simples: cada alteração é mais um semitom apontando para o acorde seguinte.
Três alterações comuns
Sobre sol com sétima, a dominante de dó:
- Nona bemol — lá bemol no lugar de lá.
- Nona sustenida — lá sustenido no lugar de lá.
- Quinta aumentada — ré sustenido no lugar de ré.
também existe, com a quinta abaixada, e soa próximo da décima primeira aumentada. Todas mantêm o trítono si e fá intacto, e é por isso que continuam dominantes: a alteração mexe nas cores, não na estrutura.
Por que a tensão resolve melhor
A resolução de uma dominante é, no fundo, movimento por semitom: si sobe para dó, fá desce para mi. Cada nota alterada acrescenta mais um desses movimentos.
O lá bemol da nona bemol está a um semitom do sol, quinta do acorde de dó, e desce para ele. O ré sustenido da quinta aumentada está a um semitom do mi, terça de dó, e sobe para ele. Onde a dominante comum tinha dois semitons resolvendo, a alterada tem três ou quatro, e a chegada soa mais inevitável.
Compare a cadência sem e com a alteração:
Qual alteração escolher
A regra prática está na melodia. Se a melodia, sobre a dominante, passa pelo lá bemol, o acorde é de nona bemol; se passa pelo lá sustenido, ou pelo si bemol que é a mesma tecla, de nona sustenida; se passa pelo ré sustenido ou mi bemol, de quinta aumentada. A alteração certa é a que cabe na melodia, e a errada briga com ela.
Quando não há melodia mandando, a nona bemol é a mais discreta e a mais clássica, a do choro e da harmonia do século dezenove; a nona sustenida é a mais áspera, a do funk e do rock com influência de jazz; a quinta aumentada é a que mais empurra para cima.
Nas dominantes secundárias
As alterações não são privilégio do quinto grau. Qualquer dominante secundária aceita as mesmas, e no tom menor elas são quase obrigatórias: a dominante de lá menor, mi com sétima, ganha a nona bemol quase de graça, porque o fá natural, a nona bemol de mi, é nota da escala.
O V7 do II em dó maior, lá com sétima, aparece com nona bemol pela mesma razão: si bemol, a nona bemol de lá, está a um semitom do lá que o acorde de ré menor tem como quinta.
O que levar daqui
Uma dominante alterada é uma dominante com a nona ou a quinta deslocadas um semitom, mantendo o trítono que a faz dominante. Cada alteração é mais uma nota a um semitom do acorde de chegada, e por isso a resolução fica mais forte, não mais fraca. Escolhe-se a alteração pela melodia, usa-se em qualquer dominante, principal ou secundária, e no tom menor a nona bemol é quase da casa.