Teoria musical, com som
Cada acorde, intervalo e progressão nesta página é um objeto que você pode ouvir. Clique em qualquer símbolo.
- A escala de blues, e a nota que só serve de passagem
A pentatônica menor com uma nota a mais, a quinta diminuta entre o quarto e o quinto graus; ela soa bem enquanto se move e áspera se você parar nela, e é isso que faz o blues soar como blues.
- A escala maior, e a fórmula que a define
Uma sequência fixa de tons e semitons que, aplicada a qualquer nota, produz a escala maior daquela nota — e determina sua grafia inteira.
- A pauta, e o dó central como ponto de partida
Cinco linhas, quatro espaços e uma clave que decide qual altura cada posição representa; tudo se conta a partir de uma nota só, o dó central.
- Acordes de sexta, e o repouso que a sétima não dá
Uma sexta somada à tríade, que soa como repouso onde a sétima maior soaria como cor; o final de música por excelência na bossa e no choro, e o acorde que a cifra confunde com o menor com sétima da relativa.
- Acordes diminutos, e a simetria que apaga a fundamental
Terças menores empilhadas até o acorde ficar simétrico, sem fundamental definida; o mesmo acorde tem quatro leituras, e a grafia escolhe qual vale. É o acorde de passagem do choro.
- Acordes suspensos, e o que sobra quando a terça sai
A terça substituída pela quarta ou pela segunda, o que deixa o acorde sem ser maior nem menor; quase sempre resolve na terça logo depois, e quando não resolve vira uma cor própria.
- Análise por graus, e o acorde descrito pelo lugar que ocupa
A notação em algarismos romanos descreve um acorde pela posição que ocupa na tonalidade, não pela nota em que está; a caixa do algarismo carrega a qualidade, e pensar assim é o que permite transpor uma música inteira de cabeça.
- Andamento, e por que ele não é a mesma coisa que levada
A velocidade do pulso, escrita em palavras italianas ou em batidas por minuto, e a diferença entre tocar rápido e tocar com a levada certa.
- Armaduras, e a ordem que nunca muda
Os acidentes recolhidos para o início da pauta, a ordem fixa em que aparecem, e o truque que lê a tonalidade em um segundo.
- As três escalas menores, e o problema que cada uma resolve
Natural, harmônica e melódica não são três escolhas de gosto — são três respostas a um mesmo defeito estrutural.
- Cadências, e o quanto cada uma conclui
As fórmulas que encerram uma frase musical, do ponto final à vírgula, e a razão de cada uma soar tão conclusiva quanto soa.
- Cifras, e como ler uma sem decorar nada
A notação do songbook lida por partes — fundamental, qualidade, extensão, alteração e baixo — cada uma respondendo a uma pergunta.
- Condução de vozes, e por que o menor movimento costuma ser o melhor
Como cada voz se move de um acorde ao seguinte; as notas comuns ficam paradas, o resto anda por grau conjunto sempre que possível, e o trítono da dominante resolve por movimento contrário.
- Dominantes alteradas, e a tensão que reforça a resolução
O acorde dominante com as extensões alteradas, nona bemol, nona sustenida, quinta aumentada, que aumentam a tensão sem mudar a função, porque cada alteração é mais um semitom apontando para o acorde de chegada.
- Dominantes secundárias, e o acorde que chega um compasso antes
Acordes de fora da tonalidade que funcionam como dominante de um grau que não é o primeiro, e a razão de fazerem o acorde seguinte soar inevitável.
- Empréstimo modal, e a cor que vem do homônimo
Acordes tomados da tonalidade homônima, que trocam a cor de um grau sem mudar de centro; o quarto grau menor numa música em maior é o mais frequente da MPB e o mais fácil de ouvir.
- Enarmonia, e por que o mesmo som tem dois nomes
Duas grafias para o mesmo som, e a razão de a escolha entre elas não ser indiferente; o nome de uma nota carrega a função dela.
- Extensões, e as terças que continuam acima da sétima
Nona, décima primeira e décima terceira são o empilhamento de terças continuado além da sétima; são cor, não estrutura, e a regra prática é saber o que cortar quando faltar mão.
- Forma musical, e a música ouvida como um todo
Como as seções se organizam e se repetem; quase toda canção cabe em poucas letras, e saber a forma é o que permite tocar uma música de ouvido depois de duas passagens.
- Função harmônica, e os três lugares de um acorde
Todo acorde do campo harmônico cumpre um de três papéis — repouso, afastamento ou tensão — e é o papel, não o nome, que decide o que ele pode fazer numa música.
- Graus da escala, e os nomes que descrevem relações
Os sete lugares de uma escala, cada um com um nome que diz o que ele faz em relação à tônica; pensar por grau em vez de por nota é o que permite tocar a mesma música em qualquer tom.
- Harmonia em tom menor, e o campo que não é um campo só
O campo harmônico menor sai de três escalas, não de uma, e por isso o mesmo grau aparece com acordes diferentes; o quinto grau maior é a escolha que faz a música voltar para casa.
- Intervalos, e por que a grafia importa
A distância entre duas notas tem duas medidas independentes, e confundi-las é o erro que trava todo o resto da teoria.
- Inversões, e por que o baixo decide o peso
As mesmas três notas com outra nota embaixo continuam sendo o mesmo acorde — mas não pesam igual, e é por isso que uma sequência de acordes soa como música em vez de blocos.
- Ligaduras e pausas, e o silêncio que também conta
Como prolongar uma nota além do que uma figura permite, e como escrever o silêncio de modo que ele caiba no compasso como qualquer nota.
- Modos, e o acorde que sustenta cada um
As sete rotações da escala maior, cada uma com um centro e uma cor própria, definidas pelo grau que muda em relação ao maior ou ao menor; um modo se ouve pelo acorde que o sustenta, não pela escala de que veio.
- Modulação, e o que separa mudar de tom de passar por ele
A mudança de centro tonal, confirmada por uma cadência; sem ela, um acorde de fora é só um acorde de fora, e o ouvinte sente o degrau sem precisar analisá-lo.
- Notas e semitons, e por que sete nomes bastam
Doze sons por oitava, sete letras para nomeá-los, e a regra que decide qual letra usar em cada situação.
- Notas estranhas ao acorde, e o que a melodia faz entre as notas certas
As notas da melodia que não pertencem ao acorde, classificadas pelo modo como chegam e saem; boa parte do que soa como acorde estranho é só uma nota de passagem sobre um acorde comum.
- O braço do violão, lido como uma régua
Seis cordas, uma casa por semitom, e duas regras que dispensam decorar as duzentas e poucas notas do braço.
- O campo harmônico maior
Sete acordes que nascem de uma escala só, e a razão de cada qualidade cair exatamente onde cai.
- O ciclo de quintas, e o mapa que ele desenha
As doze tonalidades dispostas por quintas, num círculo que explica a ordem dos acidentes, mede o parentesco entre tons e mostra por onde as sequências de acordes preferem andar.
- O II-V-I, e por que três acordes bastam
Preparação, tensão e repouso em três acordes; a sequência mais frequente da música popular, o que a faz funcionar, e como reconhecê-la em qualquer cifra.
- O trítono, e o intervalo que não consegue ficar parado
Três tons inteiros, o intervalo que divide a oitava exatamente ao meio; o único que é simétrico, o que faz toda dominante pedir resolução, e o que soa tenso mesmo para quem nunca estudou.
- Pentatônicas, e a escala em que nada soa errado
Cinco notas em vez de sete, escolhidas de modo que nenhuma combinação destoe; a escala do primeiro solo de quase todo mundo, e a razão de ela ser tão segura e tão sem direção.
- Ritmo e compasso, contados por frações
Figuras que valem metade da anterior, compassos que agrupam pulsos, e a razão de a subdivisão ser mais importante que o número de cima.
- Ritmo harmônico, e a velocidade com que os acordes mudam
A velocidade com que a harmonia muda é uma decisão separada da velocidade da música; acelerá-la antes de uma cadência é um dos sinais mais confiáveis de fim de frase.
- Ritmos brasileiros, e o que distingue um do outro
Samba, baião, xote, maracatu e frevo lidos pelo que os distingue, onde cai o acento e como o pulso se divide; cada um tem um desenho de palma que cabe em dois compassos, e é por ele que se começa.
- Síncope, e o acento que cai onde o pulso não está
O acento deslocado para fora do pulso, que só existe contra uma métrica estabelecida e é o mecanismo rítmico de quase toda a música popular brasileira.
- Substituição de trítono, e o baixo que desce por semitom
Trocar uma dominante pela dominante a um trítono de distância, que compartilha com ela o trítono interno; é o que transforma um II-V-I em movimento cromático descendente no baixo.
- Tétrades, e o trítono que move a harmonia
Uma quarta nota empilhada muda o acorde de estado para direção — e um único intervalo interno explica por que.
- Tons relativos e homônimos, e as duas maneiras de aparentar maior e menor
Um tom menor pode ser parente de um tom maior pela armadura ou pela tônica; são parentescos diferentes, com usos diferentes, e confundi-los é o erro mais comum ao ler uma armadura.
- Transposição, e a música que muda de altura sem mudar
Mover a música inteira por um intervalo fixo, preservando cada relação interna e cada grafia; se soar diferente, algo foi transposto errado, e pensar por graus é o que torna isso automático.
- Tríades, e as quatro qualidades possíveis
Três notas empilhadas em terças, e por que só existem quatro combinações — todas determinadas pelos intervalos, não pela escolha de ninguém.
- Turnaround, e a volta que soa como consequência
A sequência curta que fecha uma seção e devolve a música ao começo, e por que uma volta bem escolhida faz a repetição parecer inevitável em vez de recomeço.