Teoria Musical

Dominantes secundárias, e o acorde que chega um compasso antes

Acordes de fora da tonalidade que funcionam como dominante de um grau que não é o primeiro, e a razão de fazerem o acorde seguinte soar inevitável.

prático · formal · 4 conceitos

Uma música em dó maior tem um acorde de lá com sétima no meio. Lá com sétima não pertence ao campo harmônico de dó: o sexto grau é lá menor, e o dó sustenido que o acorde carrega não existe na escala. E no entanto ele soa perfeitamente no lugar, porque o acorde seguinte é ré menor, e lá com sétima é a dominante de ré. Esse é o mecanismo: um acorde emprestado de outra tonalidade para fazer o trabalho de dominante em direção a um grau que não é o primeiro.

O V7 de cada grau

Todo grau que pode ser tônica tem uma dominante própria: o acorde com sétima uma quinta acima dele. Em dó maior:

Mi com sétima prepara lá menor; ré com sétima prepara sol. Cada um deles contém uma nota estranha à tonalidade, e é essa nota, a sensível do grau de chegada, que faz o acorde seguinte soar como um destino em vez de um passo.

O sétimo grau fica de fora da lista. Si diminuto não pode ser tônica de nada, então não recebe dominante; a regra é que só se prepara um grau que possa soar como centro.

O que o acorde faz de fato

Uma dominante secundária faz, em pequeno, o que a dominante principal faz na tonalidade inteira: cria uma sensível para o acorde de chegada e um trítono que resolve nele.

Lá com sétima tem lá, dó sustenido, mi e sol. O dó sustenido é a sensível de ré, um semitom abaixo dele; o sol está um semitom acima de fá, que é a terça de ré menor. As duas resolvem por semitom, exatamente como si e fá resolvem em dó e mi na dominante principal.

Por um instante a música se comporta como se estivesse em ré. A tradição chama isso de tonicização: o grau ganha, por um acorde, o tratamento de tônica, e depois a música segue na tonalidade de sempre. Não é modulação, porque não há mudança de centro; é um desvio de um compasso.

Onde aparecem

O lugar mais comum é um compasso antes de um grau diatônico que a música quer sublinhar. O V7 do V é o mais frequente de todos, porque transforma a chegada à dominante num pequeno evento:

O V7 do II abre metade das canções que começam pelo II-V-I; o V7 do VI prepara a volta ao sexto grau depois de uma cadência de engano; o V7 do IV é o acorde de dó com sétima que aparece de repente antes do fá.

Cadeias

Uma dominante secundária pode ter a sua própria dominante secundária. Encadeie e as fundamentais descem por quintas até chegar à tônica:

Mi, lá, ré, sol, dó. Cada acorde é dominante do seguinte, e o único diatônico da lista é o último. O ouvido segue porque cada resolução é um passo do ciclo de quintas, e o ciclo é o trajeto que ele mais conhece.

O que levar daqui

Uma dominante secundária é o V7 de um grau que não é o primeiro: um acorde de fora do campo, com a sensível do grau de chegada dentro, que faz o acorde seguinte soar inevitável. Todo grau que pode ser tônica tem uma; o sétimo não. Reconhecê-las explica quase todo acorde "estranho" de uma cifra popular, e o turnaround da próxima leitura é o lugar onde elas mais se acumulam.