Teoria Musical

Análise por graus, e o acorde descrito pelo lugar que ocupa

A notação em algarismos romanos descreve um acorde pela posição que ocupa na tonalidade, não pela nota em que está; a caixa do algarismo carrega a qualidade, e pensar assim é o que permite transpor uma música inteira de cabeça.

prático · formal · 4 conceitos

Uma cifra diz "dó, lá menor, ré menor, sol sete". Uma análise diz "I, vi, ii, V7". A cifra descreve os acordes pelo nome; a análise descreve pelo lugar que cada um ocupa na tonalidade. A segunda é a mesma em dó, em fá e em si bemol, e é por isso que quem pensa em graus toca uma música em qualquer tom sem calcular nada.

O algarismo é o grau

Cada acorde do campo harmônico recebe o número do grau sobre o qual foi construído, em algarismos romanos: I para o primeiro, II para o segundo, até VII. Em dó maior, o acorde de fá é o IV porque fá é o quarto grau; em sol maior, o IV é dó, pela mesma razão.

As duas sequências se leem igual: I, ii, iii, IV, V, vi, vii°. É a leitura, não os nomes, que se aprende uma vez para as doze tonalidades.

A caixa carrega a qualidade

A convenção mais útil da notação é que o tamanho da letra diz a qualidade do acorde. Maiúsculo para maior: I, IV, V. Minúsculo para menor: ii, iii, vi. Um pequeno círculo para diminuto: vii°. Um sinal de mais para aumentado, raro no campo maior: III+.

Assim, o campo maior escrito em graus já mostra as qualidades sem dizê-las: I, ii, iii, IV, V, vi, vii°. Três maiúsculos, três minúsculos e um diminuto, nas posições em que a escala os coloca.

Sétimas, extensões e baixo

As notas acrescentadas seguem o algarismo, como na cifra: V7 é a dominante com sétima, ii7 o segundo grau com sétima, Imaj7 a tônica com sétima maior. O meio-diminuto ganha o círculo cortado: viiø7. O baixo, quando não é a fundamental, escreve-se com os números do baixo cifrado ou, na prática popular, com uma barra e o grau do baixo.

Lê-se ii7, V7, Imaj7, e essa é a grafia do II-V-I que toda leitura de jazz usa. Repare no 7 depois do V: a dominante com sétima e a tríade dominante são acordes diferentes, e a análise distingue os dois.

Acordes de fora

Um acorde que não pertence ao campo recebe uma notação que diz de onde veio. Uma dominante secundária escreve-se com uma barra: V7/ii é a dominante do segundo grau, V7/V a dominante da dominante. Um acorde emprestado do homônimo menor escreve-se com o bemol que abaixou a fundamental: bVI, bVII, ou com a caixa que mudou: iv para o quarto grau menor.

I, V7/ii, ii7, V7, I; e I, iv, V7, I. A notação diz não só que acorde é, mas que papel ele faz: o lá com sétima não é "um acorde de fora"; é a dominante do ré menor que vem depois.

Por que analisar

Três razões. Transpor: uma sequência em graus toca-se em qualquer tom. Ouvir: quem sabe que uma cadência é ii, V, I reconhece-a em qualquer música, com qualquer nome de acorde. Comparar: duas músicas com cifras completamente diferentes podem ter a mesma análise, e aí se descobre que são a mesma frase.

O que levar daqui

A análise por graus descreve um acorde pela posição na tonalidade, em algarismo romano, com a caixa dizendo a qualidade e os números acrescentados dizendo as sétimas e extensões. Acordes de fora ganham uma notação que diz de onde vieram. É o vocabulário em que a harmonia se transpõe, se ouve e se compara, e é a língua em que os outros artigos deste site já vinham falando.