O campo harmônico maior
Sete acordes que nascem de uma escala só, e a razão de cada qualidade cair exatamente onde cai.
Pegue uma escala maior. Sobre cada grau, empilhe duas terças usando apenas as notas dessa escala. O resultado são sete acordes, e eles explicam por que tantas músicas usam sempre o mesmo punhado.
Empilhando
Sobre o primeiro grau, dó, empilhe pulando notas: dó, mi, sol. Sobre o segundo, ré: ré, fá, lá. E assim por diante, sempre pulando uma.
O que sai disso:
Por que as qualidades caem onde caem
Ninguém escolheu que o segundo grau seria menor. A escala obriga.
O acorde de ré usa ré, fá e lá. De ré a fá são três semitons — , terça menor. É isso que faz o acorde menor, e nenhuma outra combinação era possível sem sair da escala.
O sétimo grau é o mais interessante. Si, ré, fá: terça menor e depois quinta diminuta, . Nenhum outro grau tem isso, e é por isso que o sétimo grau soa instável de um jeito que os outros não soam.
Com sétimas
Empilhe mais uma terça em cada grau e o campo fica assim:
Repare no quinto grau: é o único com tríade maior e sétima menor. Esse par produz um trítono interno — entre si e fá — e é ele que pede resolução. Toda a tensão da música tonal ocidental cabe nesse intervalo.
A mesma coisa em qualquer tonalidade
O campo não muda de forma; muda de altura. Em F maior, as qualidades caem exatamente nos mesmos graus:
É por isso que músico pensa em graus e não em nomes de acorde. Decorou uma vez, serve para as doze tonalidades.
Uma armadilha de grafia
O quarto grau de fá maior é si bemol, não lá sustenido — mesmo som, letra diferente. A escala já usou a letra lá no terceiro grau, e usar de novo deixaria o campo sem si.
Essa regra — cada letra aparece uma vez — é o que determina toda a grafia de acidentes em toda escala maior.
O que levar daqui
O campo harmônico não é uma tabela para decorar. É uma consequência: dado uma escala e a regra de empilhar terças, os sete acordes e suas qualidades já estão determinados. Entender isso é a diferença entre lembrar e saber.