Teoria Musical

Armaduras, e a ordem que nunca muda

Os acidentes recolhidos para o início da pauta, a ordem fixa em que aparecem, e o truque que lê a tonalidade em um segundo.

iniciante · prático · formal · 3 conceitos

Escrever B maior marcando cinco sustenidos a cada vez que a nota aparece é possível, e ninguém faz. Os acidentes que valem para a peça inteira são recolhidos para o começo da pauta: isso é a armadura.

A ordem dos sustenidos

Os sustenidos entram sempre nesta ordem, e nunca em outra:

fá — dó — sol — ré — lá — mi — si

Nenhuma tonalidade pula um. Se tem três sustenidos, são fá, dó e sol — nessa ordem, sem alternativa.

Lá maior tem três sustenidos: fá♯, dó♯, sol♯. Exatamente os três primeiros da lista.

A ordem dos bemóis

Os bemóis seguem a mesma lista de trás para frente:

si — mi — lá — ré — sol — dó — fá

Mi bemol maior tem três bemóis: si♭, mi♭, lá♭. Os três primeiros da lista dos bemóis.

Por que a ordem é essa

Não é convenção arbitrária — é o ciclo de quintas.

Suba uma a partir de dó e você chega em sol, que precisa de um sustenido. Outra quinta e você chega em ré, que precisa de dois. Cada quinta acima acrescenta exatamente um sustenido, e o sustenido novo é sempre a sensível da nova tonalidade.

Descendo quintas — ou subindo quartas — acontece o espelho: cada passo acrescenta um bemol.

Lendo a armadura em um segundo

Dois truques, e são os que músico usa de verdade:

Com sustenidos: olhe o último sustenido da armadura e suba um semitom. Última é fá♯? Sol maior. Última é sol♯? Lá maior. O último sustenido é sempre a sensível, e a sensível está sempre um semitom abaixo da tônica.

Com bemóis: olhe o penúltimo bemol. Ele é a tônica. Armadura com si♭ e mi♭? O penúltimo é si♭ — B♭ maior. A única que foge é fá maior, com um bemol só, que se decora sozinha.

Uma armadura, duas tonalidades

A mesma armadura serve a uma tonalidade maior e à sua relativa menor, uma abaixo. Sem acidentes: dó maior ou lá menor. Com um sustenido: sol maior ou mi menor.

Os mesmos sete sons, dois centros de gravidade diferentes. Qual dos dois está valendo não se lê na armadura — lê-se em quais acordes a música insiste, e em qual delas ela termina.

O que levar daqui

A armadura é a escala recolhida para a margem. A ordem dos acidentes vem do ciclo de quintas e não muda nunca; o último sustenido e o penúltimo bemol dizem a tonalidade num relance. O que a armadura não diz é se a peça é maior ou menor — isso a música decide, não a chave.