A escala maior, e a fórmula que a define
Uma sequência fixa de tons e semitons que, aplicada a qualquer nota, produz a escala maior daquela nota — e determina sua grafia inteira.
A escala maior não é uma lista de notas para decorar doze vezes. É uma fórmula aplicada doze vezes.
A fórmula
Do primeiro grau ao oitavo, a sequência de distâncias é sempre esta:
tom — tom — semitom — tom — tom — tom — semitom
Aplique a partir de dó e as teclas pretas nem aparecem:
Dó maior é a única escala maior sem acidentes. Isso a torna conveniente para explicar e enganosa para generalizar — a escala não é "as teclas brancas", é a fórmula. Dó apenas tem a sorte de as teclas brancas caberem nela.
A mesma fórmula em sol
Comece em sol e siga: tom (sol→lá), tom (lá→si), semitom (si→dó), tom (dó→ré), tom (ré→mi), tom (mi→fá♯), semitom (fá♯→sol).
O fá sustenido não foi uma escolha estética. A fórmula exige um tom entre o sexto e o sétimo grau, e fá natural daria apenas um semitom. Sem esse sustenido, não é uma escala maior.
Por que fá sustenido e não sol bemol
Sol bemol é a mesma tecla. E seria a grafia errada, por uma razão mecânica: a escala já usa a letra sol como primeiro grau. Repeti-la deixaria a escala com dois sóis e nenhum fá, e a pauta — que tem exatamente uma linha ou espaço por letra — não conseguiria representá-la.
Os graus têm nomes
Cada grau tem uma função, e um nome que a descreve:
| Grau | Nome | O que faz | | --- | --- | --- | | 1 | Tônica | O centro; onde a música descansa | | 2 | Supertônica | Um passo acima da tônica | | 3 | Mediante | Fica no meio entre 1 e 5; define maior ou menor | | 4 | Subdominante | Puxa para longe do centro | | 5 | Dominante | A maior tensão; puxa de volta | | 6 | Superdominante | Um passo acima da dominante | | 7 | Sensível | A meio semitom da tônica, e não aguenta ficar parada |
A sensível é o grau mais expressivo da escala, e o nome explica por quê: ela está a apenas um semitom da tônica. Toque e a orelha já sabe que vem a seguir.
Esse semitom é a razão de a música tonal ocidental soar como soa. É ele que faz uma cadência soar como uma conclusão em vez de uma parada.
O que a escala determina
Dada a escala, quase tudo o mais é consequência:
- a armadura da tonalidade — quais acidentes valem para a peça inteira
- o campo harmônico — os acordes que nascem de empilhar terças sobre cada grau
- a grafia de qualquer melodia escrita naquela tonalidade
O que levar daqui
Tom, tom, semitom, tom, tom, tom, semitom — aplicado a qualquer uma das doze notas. A fórmula gera a escala; a escala gera a grafia; a grafia gera a armadura. Nada nisso é convenção arbitrária: cada passo se deduz do anterior.