Teoria Musical

Tons relativos e homônimos, e as duas maneiras de aparentar maior e menor

Um tom menor pode ser parente de um tom maior pela armadura ou pela tônica; são parentescos diferentes, com usos diferentes, e confundi-los é o erro mais comum ao ler uma armadura.

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Toda armadura serve a duas tonalidades, uma maior e uma menor, e todo tom maior tem um tom menor que começa na mesma nota. São duas relações diferentes, e as duas se chamam "o menor de dó" em conversa de bar. Separá-las é o que permite ler uma armadura sem errar e trocar de cor numa música sem trocar de centro.

Relativos: a mesma armadura

Dó maior não tem acidentes. Lá menor também não. As duas escalas usam exatamente as mesmas sete notas; o que muda é qual delas é a tônica.

Lá menor é a relativa menor de dó maior, e dó maior é a relativa maior de lá menor. A regra para encontrar a relativa menor é descer uma terça menor a partir da tônica maior: de dó a lá, de sol a mi, de fá a ré. Para a relativa maior, subir a mesma terça menor.

Por isso a armadura sozinha não diz a tonalidade. Um sustenido pode ser sol maior ou mi menor; três bemóis podem ser mi bemol maior ou dó menor. Quem lê a armadura tem duas candidatas, e decide pelo resto: a nota em que a música termina, o acorde em que começa, a presença da sensível elevada.

E menor

Homônimos: a mesma tônica

Dó maior e dó menor começam na mesma nota e são tonalidades diferentes: dó menor tem três bemóis, dó maior nenhum. O que compartilham é o centro; o que trocam é o material.

C menor

Dó menor é o homônimo menor de dó maior, e o nome vem de terem o mesmo nome de nota. As duas escalas diferem em três notas, o terceiro, o sexto e o sétimo graus, todos um semitom mais baixos no menor, e é essa diferença de três notas que faz o maior soar aberto e o menor fechado sobre a mesma tônica.

O que cada parentesco faz

Os dois parentescos servem para coisas diferentes, e o ouvido os sente de maneiras diferentes.

O relativo compartilha o material e muda o centro. Uma música em dó maior que passa para lá menor usa as mesmas notas; o que muda é para onde elas gravitam. A passagem é suave, quase imperceptível, porque nenhuma nota nova aparece; muitas canções vão do refrão em maior à segunda parte em relativo menor sem que se note uma fronteira.

O homônimo mantém o centro e troca o material. Uma música em dó maior que vira dó menor por um trecho fica no mesmo lugar e muda de cor de repente, porque três notas se abaixam de uma vez. É um recurso barato e muito eficaz: a mesma melodia, o mesmo baixo, e o clima inteiro escurece.

A mesma frase, primeiro em dó maior e depois em dó menor. Nada mudou de lugar; mudou o material.

Como saber qual é qual

Diante de uma armadura, pergunte-se duas coisas. Qual é o tom maior dela, e qual é o menor que começa uma terça menor abaixo: esses são os relativos, os dois candidatos. Diante de uma música que muda de clima sem mudar de baixo, pergunte-se se o material mudou sobre a mesma tônica: esse é o homônimo. A relativa é uma questão de leitura; o homônimo é uma questão de cor.

O que levar daqui

Relativos compartilham a armadura e diferem no centro; homônimos compartilham o centro e diferem no material. A relativa menor fica uma terça menor abaixo da tônica maior, e é o que torna a armadura ambígua. O homônimo menor abaixa o terceiro, o sexto e o sétimo graus, e é o que permite escurecer uma passagem sem sair do lugar. A harmonia em tom menor e o empréstimo modal são o que se faz com essas duas relações.