Teoria Musical

Notas e semitons, e por que sete nomes bastam

Doze sons por oitava, sete letras para nomeá-los, e a regra que decide qual letra usar em cada situação.

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Um piano tem doze teclas por oitava. A música ocidental usa sete letras para nomeá-las. Essa diferença — doze sons, sete nomes — não é um descuido histórico: é o que permite escrever música que se lê.

Os doze sons

Do dó até o próximo dó existem doze passos iguais. Cada passo é um semitom, a menor distância que o sistema reconhece. Dois semitons formam um tom.

Repare no desenho do teclado. As teclas pretas não estão espalhadas por acaso: existem duas, depois três, depois duas de novo. E entre mi–fá e si–dó não há tecla preta nenhuma.

Os sete nomes

As sete letras — dó ré mi fá sol lá si, ou C D E F G A B — nomeiam as teclas brancas. Entre elas as distâncias não são todas iguais:

Esses dois semitons no meio da série são a fonte de quase tudo que vem depois. Eles são a razão de a escala maior ter a forma que tem, e a razão de o campo harmônico ter uns acordes maiores e outros menores.

Os acidentes

Para nomear as cinco teclas restantes, altera-se uma letra:

E aqui está o ponto que mais confunde quem começa: e são a mesma tecla. Duas grafias, um som.

Se soam igual, por que grafar diferente?

Porque a grafia não descreve o som — descreve o papel que a nota cumpre.

Em D maior, a terceira nota é fá sustenido. Escrevê-la como sol bemol produziria uma escala com dois sóis e nenhum fá, e a partitura ficaria ilegível: cada linha e cada espaço da pauta corresponde a uma letra, e usar a mesma letra duas vezes desalinha tudo.

A regra que decide é simples e não tem exceção nas escalas maiores e menores: cada letra aparece exatamente uma vez. Escolhida a letra, o acidente vem junto — não há escolha.

Dobrados

Se cada letra tem que aparecer uma vez, às vezes uma delas precisa de dois acidentes. Na escala menor harmônica de G♯ menor, a sensível é fá dobrado sustenido — mesma tecla de sol, mas a letra sol já está ocupada pelo primeiro grau.

Parece exagero, e é exatamente o oposto: é o sistema recusando-se a mentir sobre qual grau é qual.

O que levar daqui

Doze sons, sete letras. A letra vem do papel que a nota cumpre na escala; o acidente vem depois, para acertar o som. Quem inverte essa ordem — escolhe o som primeiro e a letra depois — acaba escrevendo dó sustenido onde devia estar ré bemol, e perde a informação que faz a partitura fazer sentido.