Teoria Musical

Cifras, e como ler uma sem decorar nada

A notação do songbook lida por partes — fundamental, qualidade, extensão, alteração e baixo — cada uma respondendo a uma pergunta.

iniciante · prático · formal · 3 conceitos

C7M(9)/E assusta quem vê pela primeira vez e não deveria. A cifra não é um código a decorar: é uma sequência de campos, cada um respondendo a uma pergunta específica, sempre na mesma ordem.

Os cinco campos

Leia da esquerda para a direita:

  1. Fundamental — qual nota dá nome ao acorde
  2. Qualidade — maior, menor, diminuto, aumentado
  3. Extensão — até onde o empilhamento de terças vai
  4. Alterações — o que foge do esperado, entre parênteses
  5. Baixo — depois da barra, se não for a fundamental

Nem toda cifra usa todos. usa só o primeiro.

Fundamental

Uma letra maiúscula, com acidente se precisar. C, D, E, F, G, A, B — ou dó, ré, mi, fá, sol, lá, si.

e são a mesma ideia com acidente.

Qualidade

Sem nada depois da letra, o acorde é maior: .

Um m minúsculo torna a terça menor: .

dim ou ° abaixa também a quinta: .

aug ou + sobe a quinta: .

Extensão

Um número diz até onde empilhar terças. 7 acrescenta a sétima, 9 a nona, e assim por diante — cada número inclui os anteriores.

E aqui está a distinção que mais tropeça:

Um 7 sozinho nunca significa sétima maior. Para a maior é preciso dizer: maj7, 7M ou Δ, conforme o songbook.

Alterações

O que sai do previsto vem entre parênteses, com sinal:

Songbook brasileiro costuma escrever as mesmas alterações entre parênteses: C7(b9), C7(#11), C7(b5). São a mesma cifra, e este site lê as duas grafias — mas imprime sempre a forma sem parênteses, para que a mesma cifra apareça igual em todas as páginas.

E dois casos que substituem a terça em vez de somar nota:

Um acorde sus não é maior nem menor: sem terça, ele não tem o grau que decide isso. É por isso que soa suspenso — e por isso que quase sempre resolve na terça logo depois.

Baixo

Depois da barra vai a nota do baixo. é um acorde de dó com mi embaixo — as mesmas notas, outro peso.

O baixo pode nem pertencer ao acorde: é legítimo e comum, e soa como um acorde de ré com muita coisa em cima.

Lendo a cifra do começo

C7M(9)/E, campo por campo:

Dó, mi, sol, si, ré, com mi embaixo. Nada de decorar: cada símbolo foi lido no lugar dele. Impressa na convenção deste site, a mesma cifra é .

Como ela aparece de verdade

O II–V–I, a sequência mais comum da música popular. Três cifras, e cada uma se lê pelo mesmo procedimento.

O que levar daqui

Cifra é notação posicional. Fundamental, qualidade, extensão, alteração, baixo — sempre nessa ordem. Quem lê por campos consegue decifrar uma cifra que nunca viu; quem decorou formatos trava na primeira que sai do repertório conhecido.