Tétrades, e o trítono que move a harmonia
Uma quarta nota empilhada muda o acorde de estado para direção — e um único intervalo interno explica por que.
Empilhe mais uma terça sobre a tríade e o acorde ganha uma sétima. A mudança parece pequena e não é: a tríade descreve um estado, a tétrade descreve uma direção.
As cinco que importam
Combinando a qualidade da tríade com a da sétima, cinco tétrades cobrem praticamente todo o repertório tonal:
Maior com sétima maior — . Tríade maior, sétima maior. Parada, luminosa, sem vontade de ir a lugar nenhum.
Menor com sétima menor — . Tríade menor, sétima menor. Estável também, mas fechada.
Dominante — . Tríade maior, sétima menor. Instável, e a instabilidade tem endereço.
Meio-diminuta — . Tríade diminuta, sétima menor. O acorde do segundo grau menor.
Diminuta — . Tudo diminuto, inclusive a sétima. Simétrica, sem fundamental óbvia.
O trítono
O que separa a dominante das outras cabe em um intervalo.
Em — sol, si, ré, fá — meça de si a fá: seis semitons, uma . Esse é o trítono, e ele é a razão de o acorde não conseguir ficar parado.
As duas notas resolvem em direções opostas e por meio tom cada:
- si sobe para dó — é a sensível
- fá desce para mi — é a sétima
Duas resoluções de meio tom em movimento contrário. É o gesto mais forte da harmonia tonal, e está inteiro dentro de um acorde.
Só um grau tem isso
No campo harmônico maior com sétimas, exatamente um acorde é dominante:
O quinto grau, e nenhum outro. Não por escolha — é o único lugar da escala onde uma tríade maior encontra uma sétima menor.
A meio-diminuta e a diminuta
Duas parecidas na escrita e diferentes no trabalho.
— si, ré, fá, lá — é o sétimo grau maior e o segundo grau menor. Tem um trítono, entre si e fá, e por isso funciona como preparação.
— si, ré, fá, lá♭ — tem dois trítonos: si–fá e ré–lá♭. Empilhada só de terças menores, ela é simétrica: qualquer uma das quatro notas pode ser tomada como fundamental, e o acorde muda de sentido sem mudar de som.
Onde a tétrade muda o texto
Compare as mesmas funções com tríades e com tétrades:
A segunda versão não é mais sofisticada por enfeite. As sétimas criam condução de vozes: a sétima de um acorde vira a terça do seguinte, e a linha caminha por meio tom em vez de saltar. É o que faz o II–V–I soar inevitável.
O que levar daqui
A quarta nota transforma estado em direção. O acorde dominante é o único do campo maior que carrega um trítono, e esse trítono é o motor: duas notas a meio tom do destino, puxando em sentidos opostos. Toda a harmonia funcional é construída em cima dessa tensão e da resolução dela.