Inversões, e por que o baixo decide o peso
As mesmas três notas com outra nota embaixo continuam sendo o mesmo acorde — mas não pesam igual, e é por isso que uma sequência de acordes soa como música em vez de blocos.
Um acorde é um conjunto de notas, não uma ordem. Dó, mi e sol são dó maior tanto com o dó embaixo quanto com o sol embaixo. O que muda quando se muda a nota mais grave não é a identidade do acorde: é o peso dele, e o caminho que o baixo faz até o acorde seguinte.
Três posições
Uma tríade tem três notas, portanto três candidatas a baixo. Cada uma dá nome a uma posição:
- Estado fundamental — a fundamental embaixo: dó, mi, sol.
- Primeira inversão — a terça embaixo: mi, sol, dó.
- Segunda inversão — a quinta embaixo: sol, dó, mi.
Toque as três seguidas. É o mesmo acorde, e não soa igual: o estado fundamental é o mais firme, a primeira inversão é mais leve, a segunda inversão fica no ar, pedindo para ir a algum lugar.
A cifra com barra
A cifra escreve a inversão com uma barra: antes dela, o acorde; depois dela, a nota que vai no baixo.
é dó maior com mi no baixo, a primeira inversão. é dó maior com sol no baixo, a segunda. A letra depois da barra não é um segundo acorde e não muda a qualidade de nada: ela só diz ao contrabaixista, ou à mão esquerda, qual nota tocar embaixo.
A regra vale para qualquer acorde. é lá menor em primeira inversão; é um acorde de quatro notas com a terça no baixo, e a quarta nota, a sétima, também poderia ir embaixo: , a terceira inversão, que só existe em acordes de quatro notas.
Para que serve
A resposta prática está no baixo. Toque dó maior, fá maior e sol maior, todos em estado fundamental: o baixo salta uma quarta para cima, depois uma segunda, e cada acorde chega como um bloco.
Agora troque o segundo acorde pela segunda inversão de fá e o terceiro pela primeira inversão de sol:
O baixo fica em dó, desce um semitom para si, volta para dó. Os acordes são os mesmos; a passagem virou uma linha. É esse o uso mais comum da inversão: fazer o baixo caminhar por graus conjuntos em vez de saltar.
O baixo que desce
O caso clássico é o baixo descendo pela escala enquanto os acordes ficam diatônicos. De dó a lá, passo a passo:
Cada acorde com barra está ali por causa do baixo: sol maior em primeira inversão coloca si sob o acorde, dó maior em segunda inversão coloca sol, e a linha do baixo desce sem pular uma nota. Sem as inversões, a mesma sequência de graus soaria como uma escada de blocos.
Inversão não é voicing
Duas coisas se confundem aqui. Inversão diz qual nota está no baixo, e só isso. Voicing diz como as outras notas se distribuem por cima: fechadas, abertas, dobradas, com a quinta omitida. continua sendo primeira inversão com o sol uma oitava acima ou com dois dós; a inversão é uma propriedade do baixo, o voicing é uma escolha sobre o resto.
O que levar daqui
Inverter é escolher o baixo. O acorde não muda de nome, muda de peso: o estado fundamental firma, a primeira inversão suaviza, a segunda inversão empurra. A cifra escreve a escolha com uma barra, e o motivo de quase toda inversão é uma linha de baixo que caminha em vez de saltar. Daqui saem as conduções de voz e o baixo descendente que aparecem em metade das músicas que você conhece.