Modos, e o acorde que sustenta cada um
As sete rotações da escala maior, cada uma com um centro e uma cor própria, definidas pelo grau que muda em relação ao maior ou ao menor; um modo se ouve pelo acorde que o sustenta, não pela escala de que veio.
As teclas brancas do piano, de dó a dó, são a escala maior. As mesmas teclas brancas, de ré a ré, são outra escala, com os semitons em outros lugares, e outro caráter. De mi a mi, outra. São sete pontos de partida sobre as mesmas sete notas, e cada um é um modo. O nome vem da Grécia por via da Igreja medieval; o uso vem do jazz, da MPB e do rock.
As sete rotações
Cada modo é a escala maior começada de um grau diferente. Os nomes, na ordem dos graus:
- Jônio — do primeiro grau: é a escala maior.
- Dórico — do segundo.
- Frígio — do terceiro.
- Lídio — do quarto.
- Mixolídio — do quinto.
- Eólio — do sexto: é a escala menor natural.
- Lócrio — do sétimo.
Ré dórico e mi frígio usam as notas de dó maior; o que muda é o centro, e com o centro muda onde os dois semitons caem em relação a ele. É isso que dá a cada modo a sua cor.
Cada modo é um grau alterado
O jeito de reconhecer um modo não é lembrar de que grau da escala maior ele veio: é compará-lo com a escala maior ou menor que começa na mesma nota, e ver qual grau mudou. Três modos são maiores, com terça maior; três são menores; um é nenhum dos dois.
Os maiores, comparados à escala maior da mesma tônica:
- Lídio — maior com o quarto grau elevado. Fá lídio tem si natural, não si bemol.
- Mixolídio — maior com o sétimo grau abaixado. Sol mixolídio tem fá natural, não fá sustenido.
Os menores, comparados à menor natural da mesma tônica:
- Dórico — menor com o sexto grau elevado. Ré dórico tem si natural, não si bemol.
- Frígio — menor com o segundo grau abaixado. Mi frígio tem fá natural, não fá sustenido.
E o lócrio, menor com o segundo e o quinto graus abaixados, que não tem quinta justa e por isso quase não se usa como centro: não há acorde estável para sustentá-lo.
O modo se ouve pelo acorde
Ré dórico soa dórico sobre um acorde de ré menor. Sobre dó maior, as mesmas notas soam como dó maior, porque o ouvido toma o acorde como centro e ouve a escala a partir dele. Um modo não é uma escala tocada em qualquer lugar; é uma escala tocada sobre o acorde que a sustenta, e é o acorde que a faz soar modal.
Sobre ré menor com sétima, o si natural, sexto grau elevado, é a nota dórica; troque por si bemol e o mesmo acorde vira eólio. A diferença de cor está numa nota, e a nota só tem nome porque há um acorde embaixo dizendo qual é a tônica.
A primeira é ré dórico; a segunda, ré eólio. Cante as duas sobre um ré menor e ouça o sexto grau decidir.
Onde os modos aparecem
O mixolídio é a escala do acorde dominante e de quase todo rock e blues com acorde maior e sétima menor: sol mixolídio sobre sol com sétima. O dórico é o menor do jazz modal e de boa parte da MPB, o menor com a sexta clara. O lídio é o maior com a quarta que não pesa, o som de trilha sonora aberta. O frígio é o menor com a segunda escurecida, o som espanhol e o som de tensão.
Sol com sétima e fá maior, e a escala que cabe nos dois é sol mixolídio: sol maior com fá natural. É a progressão mais mixolídia que existe, e está em milhares de músicas.
O que levar daqui
Os modos são a escala maior começada de cada um dos seus graus, e cada um se define pelo grau que muda em relação ao maior ou ao menor natural da mesma tônica: lídio e mixolídio são maiores com um grau alterado, dórico e frígio são menores com um grau alterado, e o lócrio não tem quinta justa. Um modo soa modal sobre o acorde que o sustenta, e é por esse acorde, não pela escala de origem, que se pensa ao tocá-lo.