Teoria Musical

Condução de vozes, e por que o menor movimento costuma ser o melhor

Como cada voz se move de um acorde ao seguinte; as notas comuns ficam paradas, o resto anda por grau conjunto sempre que possível, e o trítono da dominante resolve por movimento contrário.

formal · 4 conceitos

Um acorde é um conjunto de notas, e uma progressão é uma sequência de conjuntos. Mas o ouvido não ouve conjuntos: ouve vozes, linhas que vão de uma nota à seguinte. A condução de vozes é o estudo de como cada linha se move de um acorde ao outro, e a sua regra central cabe numa frase: mova cada voz o mínimo possível.

Blocos e linhas

Toque dó maior e depois fá maior, os dois em estado fundamental, com as mesmas três notas subindo em bloco. As três vozes saltam uma quarta juntas. Agora toque fá maior mantendo o dó onde estava e movendo só as outras duas: mi sobe para fá, sol sobe para lá.

Os acordes são os mesmos; a segunda passagem soa como música e a primeira como uma escada. A diferença é que, na segunda, uma voz ficou parada e as outras andaram um grau. É esse o princípio, e tudo o mais é consequência.

As três regras práticas

Notas comuns ficam paradas. Se dois acordes compartilham uma nota, a voz que a tem não se move. Dó maior e lá menor compartilham dó e mi; só o sol anda, para lá.

O resto anda por grau conjunto. Uma voz que precisa mudar vai para a nota mais próxima do acorde seguinte, por tom ou por semitom, e só salta quando não há alternativa.

As vozes não se cruzam nem andam em paralelo por quintas e oitavas. A voz de cima fica em cima; e duas vozes a uma quinta ou uma oitava de distância não se movem na mesma direção mantendo o intervalo, porque o ouvido as funde numa só e a textura perde uma voz. É a regra mais discutida da harmonia clássica, e o motivo dela é este: preservar a independência das linhas.

O trítono resolve por movimento contrário

O caso mais importante é a dominante. Sol com sétima tem si e fá, o trítono, e as duas notas resolvem em direções opostas: si sobe um semitom para dó, fá desce um semitom para mi. Duas vozes, dois semitons, movimento contrário, e a tônica chega com a fundamental e a terça já no lugar.

Dobrar notas é a consequência: uma tríade tem três notas e o acorde de quatro vozes precisa de quatro, então a fundamental se dobra. Em quatro vozes, a resolução completa de sol com sétima para dó maior deixa o acorde de chegada sem quinta, ou faz uma voz saltar; a escrita clássica aceita as duas coisas e prefere, em geral, a tônica sem quinta e com a fundamental dobrada.

As inversões vêm daqui

A condução de vozes é a razão de existirem inversões. Se o baixo é uma voz e deve andar por grau conjunto, ele não pode saltar de fundamental em fundamental; então os acordes se invertem para que o baixo caminhe.

A descida do baixo, de dó a ré, é uma linha, e os acordes com barra são os que a linha exige. Vista assim, a inversão não é uma escolha sobre o acorde: é uma consequência de conduzir o baixo.

Na música popular

Quem toca teclado ou violão conduz vozes sem escrever nada: é a diferença entre "pular de acorde em acorde" e "trocar de acorde com a mão parada". Um II-V-I bem tocado move cada voz um semitom, e por isso soa liso; o mesmo II-V-I em três posições fundamentais salta e soa como três blocos. A cifra não escreve isso, e é a mão que decide.

Ré menor com sétima, sol com sétima, dó maior com sétima, as vozes de cima movendo-se por semitom ou ficando paradas. É a condução que o ouvido espera, e é por isso que a sequência soa inevitável.

O que levar daqui

Condução de vozes é o movimento de cada linha entre dois acordes, e a regra é o menor movimento: notas comuns paradas, o resto por grau conjunto, sem cruzamentos e sem quintas ou oitavas paralelas. O trítono da dominante resolve por movimento contrário, e as inversões existem para que o baixo caminhe. É a diferença, ao instrumento, entre saltar de acorde em acorde e trocar de acorde com a mão quieta.